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segunda-feira, Outubro 04, 2010

Abstraccionismo geométrico e construtivo



O livro El Arte Contemporáneo: Esplendor Y Agonia; de Ilda Rodríguez Prampolini, foi escrito para os alunos de Historia de Arte e Arte Contemporânea da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Autónoma do México. O texto lhes faria conhecer a história de arte do séc. XX começando, por certo, por entender o seu desenvolvimento, com os impressionistas e com a abordagem de problemas históricos, artísticos, estéticos e morais de grande relevância.

Quando em 1916, os dadaístas lançaram o seu grito de rebeldia desde o Cabaret Voltaire provavelmente não estavam conscientes da profunda transformação que iniciaram na produção artística do mundo ocidental

Neste livro, a autora fez um reconto desta história e dos distintos movimentos artísticos que antecederam o dadaísmo e os que surgiram posteriormente. È uma reflexão critica acerca da evolução da arte desde finais do séc. XIX, com os impressionistas e os expressionistas, até à primeira metade do séc. XX, com os surrealistas e os abstraccionistas, são estes últimos a que daremos destaque, uma vez que se relacionam com o conteúdo deste blogue.

A linha é referência para o entendimento do desenho em Manuel Pereira da Silva. Sabe cria-las puras, simples, sem requintes, nem desperdícios analíticos, cheias de substância, graves. A linha grande imóvel que é da essência da plástica no plano, e o primeiro segredo do seu dinamismo. Manuel Pereira da Silva possui esse poder de simplificação dos traços e de sintetização das formas. Domina com facilidade os elementos formal-construtivos: simetria estilística, harmonia poética, equilíbrio estético, onde o branco do papel é parte da arquitectura imaginária.

As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal, reconhecidamente protagonizado, a partir do final dos anos 40, no Porto, por Arlindo Rocha, Fernando Fernandes e ainda, alguns anos depois, por Aureliano Lima, a partir da sua mudança de residência para esta cidade. Estes factos conferem, à produção abstracta de Manuel Pereira da Silva, realizada, até com óbvia analogia estilística, no mesmo período e em situação de convívio com os referidos escultores, inquestionável enquadramento geracional, que importa reconhecer.

De facto no período imediatamente subsequente à II Guerra Mundial, precisamente aquele em que teve início a actividade profissional de Manuel Pereira da Silva, verificaram-se alterações, importantes, no universo das polémicas artísticas, nomeadamente nos dois maiores centros urbanos portugueses: à querela "clássicos e modernos", acrescentou-se o debate entre os adeptos da modernidade – neo-realistas, surrealistas e abstraccionistas – mas foi quase sempre no recato dos ateliê que alguns, pouquíssimos, escultores inquietos, ensaiaram novos caminhos para a sua Arte, em produções que esparsamente vieram a público, e que este, para lá de uma reduzida elite, longamente ignorou.


A Arte Abstracta

Abstraccionismo geométrico e construtivo

A reconstrução do mundo através da pintura poucas vezes foi um problema tão consciente, confiado e confessado como uma série de manifestações artísticas que surgiram ao terminar da I Guerra Mundial.

Sem dúvida que os artistas ao embarcarem na tabela da abstracção, estavam impulsionados por uma utópica necessidade de vida espiritual

Sócrates havia já afirmado estas problemáticas, ideal de beleza por meio da representação não de seres vivos, mas sim de figuras planas e sólidas criadas por meio da linha, o círculo, etc.:

“ Por que eu sustenho que essas figuras não são como as outras belas por comparação, mas sim que são sempre belas em si mesmas por sua natureza e que elas procuram certos prazeres que lhes são próprios e que não tenham nada em comum com os prazeres produzidos pelos estímulos sensoriais.”

É através de estes signos de beleza imutável que alguns artistas tentam elevar-se por cima da natureza e de eles mesmos, resgatar a arte torná-la a expressão ao serviço dos mais altos ideais.

Os anos de 1930 e 1945 parecem ser os do triunfo da arte geométrica com suas tendências construtivas sobre a arte abstracta de tendências líricas e espontâneas. Numerosas revistas são criadas para divulgar o geométrico; exposições contínuas em galerias acolhem os artistas, exibem em colectivas que proliferam, e a arte destes construtivistas parece opor as suas formas fechadas ou “concretas” compostas em infinitas constelações aos intelectualizados jogos subconscientes dos surrealistas que gritam pelo absurdo.

O Sindicato de Antiquários de Paris (1925), a exposição Circule et Carré também em Paris, a publicação do único número da revista ArtConcrete realizada por Van Doesburg, o grupo Abstração-Criação e as numerosas revistas em vários países são prova do surgimento de essa nova linguagem ideal que brota com autentica validade. Uma das pioneiras de esta arte busca ligar-se com a arquitectura é, sem dúvida, a esposa e colaboradora do escultor Jean Arp, a pintora Suíça Sophie Trauner-Arp, cujas formas rigorosas voluntariamente simplificadas e justas chegam a delicadezas poderosas de umas proporções sabiamente sentidas e intelectualizadas.

Em Inglaterra, o surgimento da revista The Circle, em 1937, organizada pelo escultor Naum Gabó, o pintor Bem Nicholson e o arquitecto Leslie Martin marca a repercussão, que no país, herdeiro da tradição de William Morris, teve este formalismo construtivo, que tratou de envolver novamente a obra de arte à vida e aproveitar a nova linguagem para falar universalmente. Este sentido decisivo de comunicação através de fórmulas universais (abstractas e geométricas) e não particulares, é a repercussão da teoria construtivista adoptada pelo mesmo Gabó e pelo seu irmão Antoine Pevsner na Rússia 17 anos antes. A intenção de estabelecer uma arte de forma “pura” vai mais além do perfeito esteticismo da “arte pela arte” já que, no primeiro caso, se trata do princípio dinâmico que move o artista a “reconstruir” o mundo e no segundo se separe não ao princípio, mas sim à finalidade da arte que se afoga em si mesma.

Dificilmente poderíamos esgotar a revisão de todos os artistas que se ligaram de alguma maneira à arte geometrizante. Um dos casos mais extremos é o Félix de Marle, para quem a arte colectiva em equipa e subordinada à arquitectura é a única posição salvadora que justifica o artista; ele já se pronuncia por uma arte que deve colaborar nas ruas, nas cidades, a alegria de viver, não de uma elite, senão do homem, de todos os homens.