sábado, abril 08, 2006

Blogue de Arte


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pereira-da-silva.blogspot, é um blogue de arte que pretende divulgar o trabalho do escultor Manuel Pereira da Silva.

As obras aqui expostas são originais, estão datadas, assinadas e pertencem à colecção de seu filho Pedro Nunes Pereira da Silva, responsável pela criação e manutenção deste espaço.

Contactos:

Pedro Nunes Pereira da Silva
R. General Humberto Delgado nº246
4410-061 Serzedo
Portugal

T.+351966779055

Biografia

Manuel Pereira da Silva (Porto, 7 de Dezembro de 1920 — 2003) foi um escultor português.
A obra de Manuel Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana, em particular no homem e na mulher.

Em 2000, foi atribuída a Manuel Pereira da Silva a Medalha de ouro de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Educação

Em 1939, ingressa na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Em 1943, termina o curso com a classificação final de 18 valores. A tese de final do curso foi sobre Nuno Álvares Pereira. Durante o curso foi distinguido com os prémios António Teixeira Lopes e António Soares dos Reis.

Em 1947 e 1948, estuda em Paris, na École des Beaux-Arts. Foi professor de desenho e de educação visual do ensino secundário entre 1949 e 1991.

Na obra do escultor Manuel Pereira da Silva reconhecem-se duas orientações, distintas nos respectivos propósitos estéticos:

- as peças concebidas em conformidade com a tradição académica do século XIX europeu, em geral respondendo a encomendas;

- as peças que, conservando de uma forma essencial a figura humana como referente, se afastam da sua representação naturalista, antes obedecendo a critérios formais de sentido abstracto, exercitando uma das vias pelas quais o modernismo acedeu à abstracção pura, entendida esta como a criação de formas nas quais não se evidencia, ou não existe de facto, referente figurativo.
As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal.

Memórias

"…Chateia-me estar sempre a fazer o mesmo, por isso, fui sempre procurando novas linguagens, novas para mim, pelo menos. Passei a vida a desenhar, mais do que a fazer escultura, desenhei, desenhei, desenhei. Quando era professor, a minha vida era de casa para as aulas e das aulas para o atelier, onde normalmente trabalhava quatro a cinco horas por dia, pelo menos." - Manuel Pereira da Silva.

Foi um dos membros do Grupo portuense "Independentes" (anos 1940). Alguns dos colegas de Manuel Pereira da Silva foram figuras que enriqueceram de forma substancial a Arte Portuguesa: Arlindo Rocha, Júlio Resende, Nadir Afonso, Eduardo Tavares, Fernando Fernandes (escultor), Aureliano Lima, Reis Teixeira, Fernando Lanhas, Jorge Vieira, António Sampaio, Guilherme Camarinha, entre outros. Uma boa parte deles fizeram parte do "Grupo dos Independentes" que segundo o pintor Júlio Resende "Entre camaradas gerava-se um movimento de inconformismo face à passividade do burgo. Foi no sentido de contrariar esta situação que entre nós cresceu a ideia de formação do «Grupo dos Independentes». «Independentes» quanto aos posicionamentos estilísticos."

Obras seleccionadas

I Exposição dos Independentes, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1943).

II Exposição dos Independentes, no Ateneu Comercial do Porto (1944).

III Exposição dos Independentes, no Coliseu do Porto (1945).

Baixos-relevos em pedra da autoria do escultor Henrique Moreira, com quem colaborou, no Teatro Rivoli e no Coliseu do Porto (1945).

Exposição da Vida e da Arte Portuguesas em Lourenço Marques, Moçambique (1946).

Busto em bronze em homenagem ao Fundador do Clube Recreativo Avintense, Dr. Adelino Gonçalves Gomes, (1952).

Exposição de Arte Moderna nas Caldas da Rainha (1954).

Escultura em bronze do General Ulysses S. Grant, 18.º presidente dos Estados Unidos da América entre 1868 e 1876. Este monumento foi encomendado pelo Governo Português a Pereira da Silva para Bissau (1955).

Pinturas a fresco na Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo (1956).

Mural a fresco da Branca de Neve, na Rua de Santa Catarina, no Porto (1957).

Escultura em bronze A Maternidade, na Praça do Marquês de Pombal, no Porto (1958).

II Exposição de Arte Moderna de Viana do Castelo (1959).

Baixo-relevo em cerâmica policromada em Luanda, capital de Angola (1960).

Medalha em Bronze comemorativa do V Centenário do Infante D. Henrique pela Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto (1960).

Baixo-relevo em pedra de Ançã de D. Pedro Pitões exortando os cruzados no Palácio da Justiça, no Porto (1961).

Medalha em Bronze do Palácio da Justiça, no Porto (1961).

II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1962).

Ao Agricultor, Gaia, Gulpilhares (1972).

Ao Atleta, Gaia, Avintes (1973).

Busto em bronze em homenagem ao Fundador de “Os Plebeus Avintenses”, Alfredo de Oliveira Dias Penedo, (1975).

Medalha em Bronze comemorativa do 1079º Aniversário da Vila de Avintes (1976).

Medalha em Bronze comemorativa do 75º Aniversário do Grupo Mérito Dramático Avintense (1976).

Escultura Sem Título, nos Jardins da Estação de Serviço da Repsol, na A1em Gaia (1981).

Monumento ao Escultor Henrique Moreira, Gaia, Avintes (1991).

Monumento ao Espírito Missionário e ao Padre José Marques Gonçalves de Araújo, Gaia, Avintes (1992).

Medalha em Bronze comemorativa do 75º Aniversário do Grupo Mérito Dramático Avintense (1985).

Exposição retrospectiva de homenagem à obra de Manuel Pereira da Silva pela Associação Artistas de Gaia (1987).

Busto comemorativo do 100º Aniversário do Escultor Alves de Sousa, Gaia, Vilar de Andorinho (1989).

Medalha em Bronze comemorativa do 100º Aniversário do Clube Recreativo Avintense (1989).
Busto em homenagem ao Padre Luís, Gaia, Oliveira do Douro (1991).

Medalha em Bronze comemorativa do 60º Aniversário dos Bombeiros Voluntários de Avintes (1991).

Medalha em Bronze comemorativa do 44º Aniversário Escola Secundária António Sérgio, Gaia (1992).

Medalha em Bronze comemorativa do 100º Aniversário Associação de Socorros Mútuos – Restauradora, Gaia, Avintes (1993).

Monumento a Fernando Conceição Couto, Antigo Presidente dos Dragões Sandinenses e da Junta de Freguesia de Sandim (1994).

Medalha em Bronze comemorativa do 100º Aniversário do Teatro Almeida e Sousa, Gaia, Avintes (1995).

Monumento ao Bombeiro, Gondomar (1997).

Medalha em Bronze comemorativa do 75º Aniversário do Futebol Clube de Avintes (1998).

Medalha em Bronze comemorativa do 35º Congresso das Confrarias Báquicas, Gaia (1998).

Monumento ao Industrial do Mobiliário, Paredes (1999).

Medalha em Bronze comemorativa do 100º Aniversário do Jornalista Fernando Pessa, Gaia (2000).

Busto em homenagem do Prof. José Hermano Saraiva, pela Confraria da Broa de Avintes (2001).

Monumento ao Bombeiro, Freamunde (2002).

Movimento Moderno

No Porto, os estudantes de todos os cursos, Arquitectura, Pintura e Escultura, conviviam intimamente, não só por terem preparatórios comuns, como pelo facto das três Artes serem consideradas inseparáveis. Havia discussões sobre o Modernismo na Arte, e um latente inconformismo em relação ao ensino clássico. São inúmeros os exemplos de estreita colaboração de Artistas Plásticos em obras de Arquitectura.

Também se verificam algumas parcerias entre Arquitectos e Artistas Plásticos, com alguma longevidade, e com bastantes testemunhos provados, como Arménio Losa com Augusto Gomes, José Carlos Loureiro e Agostinho Ricca com Júlio Resende, Carlos Neves e Manuel Pereira da Silva, e Júlio de Brito e Rogério de Azevedo com Henrique Moreira.

Da colaboração com o Arquitecto Carlos Neves, Manuel Pereira da Silva realiza uma decoração mural a fresco da sapataria “Branca de Neve” na Rua Santa Catarina, no Porto e duas figuras decorativas em edifícios no Jardim do Marquês de Pombal, no Porto.

Geração Africana

No território africano sob domínio colonial português, menos sujeito à pressão dos cânones culturais do Estado Novo e ao mesmo tempo com mais necessidades de construção urbana, houve espaço para que os arquitectos portugueses pudessem explorar livremente o Movimento Moderno.

Dezenas de arquitectos portugueses (sobretudo os da Escola do Porto) emigraram para aquelas duas Colónias: «É justamente essa geração de arquitectos, politicamente amadurecida como nunca o fora a geração dos anos 30 modernistas, que vai fazer a diferença e mergulhar na contemporaneidade. Cheios de força e com a audácia da juventude vão fazer a ‘utopia moderna em África’.»

E tentaram que os edifícios fossem obras completas, integrando a arquitectura e a arte – painéis de azulejos, murais em pastilha vidrada, painéis cerâmicos, murais em mármore gravado, murais de seixos embutidos, desenhos figurativos e abstractos, formas geométricas, cores. Em pleno Estado Novo, fizeram uma arquitectura livre. Moderna e tropical.

Desta "Geração Africana" fazem também parte pintores, como: Abel Manta, Almada Negreiros, António Quadros, Dórdio Gomes, Henrique Medina, Isolino Vaz, Jaime Isidoro, João Hogan, Júlio Resende, Lourdes Castro, Manuel Pereira da Silva, entre outros; na escultura, destacamos: Arlindo Rocha, Henrique Moreira, Leopoldo de Almeida, Manuel Pereira da Silva e Sousa Caldas.
Manuel Pereira da Silva também fez parte deste movimento moderno, na escultura, com trabalhos realizados em Moçambique, Guiné-Bissau e Angola:

Participa na Exposição da Vida e da Arte Portuguesas em Lourenço Marques, Moçambique (1946).

Em 1955, Manuel Pereira da Silva concebeu a estátua a Ulysses Grant, 18º Presidente dos E.U.A., vencedora do concurso público lançado para o efeito, pelo Ministério do Ultramar, erigida frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau.

"Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar."

Em 1960, Manuel Pereira da Silva realizou, "África", este baixo-relevo, em faiança policromada, destinado à decoração da fachada de um edifício situado na marginal da Baía de Luanda, Angola. Para o efeito Manuel Pereira da Silva improvisou ateliê numa arrecadação industrial desocupada, nos arredores do Porto.

A arte abstracta portuguesa

A arte abstracta portuguesa está historicamente ligada às exposições independentes, cujo principal organizador e animador, Fernando Lanhas, é coincidentemente a figura central desse abstraccionismo. Após uma I Exposição, em Abril de 1943, nas instalações da Escola de Belas Artes do Porto, onde já se poderá verificar a presença do futuro “núcleo duro” das independentes, como sejam Júlio Resende, Fernando Fernandes, Nadir Afonso, Arlindo Rocha, Altino Maia, Mário Truta, Serafim Teixeira, Augusto Tavares e Manuel Pereira da Silva. As exposições independentes passam a ter lugar fora da Escola e, várias vezes, fora do Porto, em primeiro exemplo de descentralização e vontade de difusão que, apesar de tudo, não evitará uma certa marginalização dos artistas do Porto em relação aos acontecimentos e iniciativas de maior visibilidade e impacto da capital.

A exposição é recebida pela crítica de arte de uma forma favorável que destaca o “sentido de solidariedade” dos artistas, parecendo-lhe a cooperação “uma lição admirável” e se congratula com o facto de se poder verificar um “confronto regular das tendências várias de gerações diferentes”.

A II Exposição Independente apresenta-se, em Fevereiro de 1944, no Ateneu Comercial do Porto e será a partir daí que a acção de Fernando Lanhas se fará sentir, na consistente qualidade dos catálogos e das montagens das exposições, bem com como na persistência em manter vivas as iniciativas. Nesta exposição estiveram presentes esculturas de Altino Maia, Arlindo Rocha, Eduardo Tavares, Joaquim Meireles, Manuel da Cunha Monteiro, Maria Graciosa de Carvalho, Mário Truta, M. Félix de Brito, Manuel Pereira da Silva e Serafim Teixeira.

A III Exposição Independente tem lugar, no mesmo ano, no salão do Coliseu do Porto e nela participam na escultura: Abel Salazar, Altino Maia, António Azevedo, Arlindo Rocha, Eduardo Tavares, Henrique Moreira, Manuel Pereira da Silva, Mário truta, e Sousa Caldas. No catálogo da exposição, em itinerância por Coimbra, em Janeiro de 1945, esclarece-se que o nome de “independente” não é um nome ao acaso, mas implica a consciência de que arte é um património da humanidade e daí a nossa variadíssima presença, entendendo-se que o presente deve, activar-se para alicerçar o futuro, não se podendo negar ao passado o direito de recordar-se.

Ao contrário do que acontecerá com as exposições surrealistas ou as gerais, muito identificadas com o neo-realismo, a bandeira do abstraccionismo não será defendida nas exposições independentes, que se limitam a integrar as experiências abstractas dos seus cada vez mais numerosos seguidores.

Uma versão mais depurada e homogénea daquela III Exposição será apresentada, também em 45, em Leiria e em Lisboa, onde foi alvo de críticas da emergente corrente neo-realista.

Mais uma vez, o Porto avança com a criação de um movimento de renovação, um grupo de artistas, estudantes e professores da Escola Superior de Belas Artes do Porto, que organizaram um conjunto de exposições a partir de 1943 até 1950, o designado "Grupo dos Independentes". Expuseram nesse grupo, entre outros, Amândio Silva, António Lino, Arlindo Rocha, Fernando Lanhas, Júlio Pomar, Júlio Resende, Victor Palia, Abel Salazar, Américo Braga, António Cruz, Augusto Gomes, Guilherme Camarinha, Henrique Moreira, Nadir Afonso, Manuel Pereira da Silva e Querubim Lapa.

O que os unia era a recusa de tendências académicas, a abertura a todas as correntes, não impondo compromissos estéticos e divulgando novas tendências como o Neo-realismo, o Abstraccionismo Geométrico (figurativo ou não), e o Expressionismo, que aliás se espelham nas obras plásticas presentes nos edifícios da nossa área em estudo.

Havia um comungar de ideias que contrariavam um bocadinho o estado da altura. A nossa independência vinha do facto de cada um ser uma pessoa com ideias suas, próprias e pintando com isso mesmo [...]. A Escola estava de corpo e alma com o nosso movimento. "

Este movimento só faria sentido pela conjuntura formada pelos Directores da Escola Superior de Belas Artes do Porto nos anos 40, onde Dordio Gomes, na Pintura, Barata Feyo, na Escultura, e Carlos Ramos, na Arquitectura, permitiram um novo fôlego, respirando as vanguardas artísticas que se continuavam a afirmar na Europa.

Os Cafés da Baixa do Porto

Em meados do século XIX, a Praça Nova foi um núcleo da vida social da Cidade, ponto de encontro da Geração Romântica. O Passeio da Cardosa, também conhecido por "Real Clube dos Encostados", era um local de reunião da vida literária e boémia.

Os cafés que foram surgindo em torno desse espaço, na Baixa portuense, desempenharam um importante papel de locais públicos de intercâmbio de ideias e de difusão de culturas.

Poderemos mesmo dizer que, no Porto, os cafés rivalizaram com as academias na divulgação de obras literárias, nas discussões sobre correntes estéticas e artísticas, no debate político sobre planos de luta e resistência ao poder instituído.

O Café Palladium, aberto em 4 de Novembro de 1940, ocupou quatro pisos do edifício de Marques da Silva, cujas obras de reconversão foram da autoria de Mário de Abreu. Tinha salão de jogos, salão de chá e um cabaret. Atraía uma clientela ligada à Arte e às Letras, como Jorge de Sena, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, SantAna Dionísio, Alfredo Pereira Gomes, Alberto Serpa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Manuel Pereira da Silva, entre outros, e foi encerrado nos anos 70.

Na Praça de D. João I, o Café Rialto projectado por Artur Andrade, em 1944, ocupava o edifício mais alto do país nessa época, da autoria de Rogério de Azevedo, possuindo no piso térreo um mural de Abel Salazar 28 e na cave frescos de Dordio Gomes e Guilherme Camarinha, e na escadaria um painel cerâmico de António Duarte. Era frequentado por Arménio Losa e pela sua esposa, a escritora Use Losa, também por António Ramos de Almeida que dirigia a Página Cultural do Jornal de Notícias, pelos poetas Pedro Homem de Melo, Papiniano Carlos, Manuel Pereira da Silva, Daniel Filipe, Luís Veiga Leitão, António Rebordão Ramalho, e também pelos membros do Teatro Experimental do Porto: António Pedro, Dalila Rocha, João Guedes, Augusto Gomes, Fernanda Alves, Vasco Lima Couto e Egipto Gonçalves. Encerrou em 1972, dando também lugar a uma agência bancária.

Durante os tempos da Livraria Divulgação, ali bem perto, foi palco de tertúlias literárias, animadas por Fernando Fernandes, Manuel Pereira da Silva, Carlos Porto, Vítor Alegria, Luís Veiga Leitão, António Emílio Teixeira Lopes, Orlando Neves que, com a sua esposa, Maria Virgínia de Aguiar, fundou e dirigiu a revista "A Cidade - do Porto e pelo Norte", o jornalista Pedro Alvim, os actores Dalila Rocha e João Guedes, o Mestre António Pedro, Manuel Baganha, Luís Ferreira Alves, Jorge Baía da Rocha, Carlos Ispaim e Eugénio de Andrade.

As personalidades referenciadas, por vezes frequentadoras de diversos Cafés, constituem um mosaico daquilo que o Porto nos pôde dar de melhor.

Mais do que o efeito estimulante da cafeína, o "espaço-café" estimulava a contaminação criativa, as vanguardas intelectuais e o convívio social.

Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular do Porto

Alves de Sousa tornou-se conhecido pela vitória, com o arquitecto Marques da Silva, no projecto para o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular do Porto (a "Estátua da Rotunda da Boavista, na Praça Mouzinho de Albuquerque), cuja primeira pedra foi lançada em 1909, mas cuja inauguração ocorreu apenas em Maio de 1951, muito depois da sua morte.

De acordo com Pedro Guilherme Alves de Sousa Moreira, bisneto do escultor Alves de Sousa, "a autoria da parte escultórica da "estátua do leão e da águia na Boavista" (Monumento aos Heróis das Guerras Peninsulares) foi a porta para a imortalidade. Ora, como se sabe, pelos anos trinta e quarenta do Século XX houve uma forte pressão para que o "Castiçal da Boavista" (apenas o elemento arquitectónico de Marques da Silva estava de pé) fosse demolido e esquecido para sempre. Aliás, como me foi lembrado há dias por neta afim, lá esteve plantado durante a guerra um campo de milho, e outros destinos teriam sido dados à Praça Mouzinho de Albuquerque se não fosse a perseverança de escultores como Sousa Caldas e Henrique Moreira (ainda que, em tempos, tivessem opinado em sentido contrário), que refizeram a maquete executada por Alves de Sousa, actualizando-a. Há lugar para o mérito de todos, e sem o génio de Alves de Sousa e a visão de Marques da Silva não havia monumento. Mas se os escultores que modelaram a estátua depois da morte de ambos não tivessem dado o seu amor à arte para executar a obra dos mestres, e deixar os seus nomes na sombra, ninguém teria podido observar a emoção da mão de Alves de Sousa. Em meu nome pessoal (porque não posso falar em nome de mais ninguém), e o meu nome pessoal ainda é Alves de Sousa, um penhorado obrigado aos escultores que modelaram a estátua do meu bisavô numa das naves laterais do velho Palácio de Cristal (Teatro Gil Vicente), entre 1950 e 1953. São eles:
- Sousa Caldas;
- Henrique Moreira;
- Lagoa Henriques;
- Mário Truta;
- Manuel Pereira da Silva.

Embora a estátua tenha sido inaugurada em Maio de 1952, depois de lançada a primeira pedra em 1909, a parte escultórica do desastre da Ponte das Barcas, na face Noroeste - a mais emocionante, a mais "Alves de Sousa" e constante da foto em anexo - terá sido terminada em 1953 na Cerâmica do Carvalhinho, em Gaia, isto segundo o testemunho do Professor João Duarte, que muito agradeço - e que trabalhava na dita Cerâmica. O professor andara a acartar baldes de cimento durante a modelação das restantes partes, no antigo Palácio de Cristal; aliás, disse-me que o brasão do Porto que está na face Nordeste da estátua foi feito a partir da pedra de uma velha floreira.

Exposição da Vida e da Arte Portuguesas

Exposição da Vida e da Arte Portuguesas, assim se denominava a breve panorâmica do País, que a Agência Geral do Ultramar organizou para figurar em Lourenço Marques, a quando da visita de Sua Excelência o Presidente da República, General Craveiro Lopes, à província de Moçambique, em 1956.

O que somos no mundo e como somos em Portugal, sugere-se um conjunto, forçosamente incompleto, da vida nacional contemporânea.

As manifestações cultas de arte, apresentam-se depois, nas suas variadas expressões e técnicas.
Óleos, esculturas, desenhos, aguarelas, cerâmicas, vitrais, tapeçarias, ferros forjados, livros, encadernações, etc., numa série valiosa de trabalhos compreendidos em toda a gama de expressões plásticas, mostram-se nas salas destinadas à representação artística do País. Esta Exposição de Arte, sem restrições abarca, com a maior amplitude, toda a criação plástica, desde as artes aplicadas e decorativas, até à pintura e escultura, e desde os nomes já consagrados até aqueles que moderadamente vão aparecendo a revolucionar as forma e as cores.

O Escultor Manuel Pereira da Silva participou nesta exposição na categoria Aguarela e Desenho, com os trabalhos número: 394 – Desenho; 395 – Guache; e 396 – Aguarela “Cabeça de Cristo”. Na categoria Escultura apresentou uma peça com o número 331 – Escultura, no valor de 20.000$00.

O catálogo da exposição faz também referência à participação do Escultor Manuel Pereira da Silva nos II e III Salões de Cerâmica Moderna (S.N.I.) e nos I e II Concursos Nacionais de Artes e Ofícios, onde obteve, respectivamente, os 2º e 1º Prémios (1954 e 1955).

Pinturas a fresco na Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo

Em 1956 Manuel Pereira da Silva recebe uma encomenda da Confraria da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

“A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernas que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade.”

“Graças à força da comunicação social, o ainda jovem Manuel Pereira da Silva passou a colher os primeiros frutos da fama e de ter daí em diante um vasto auditório, face aos milhares de fiéis que durante o ano sobem ao alto do monte de Santa Luzia."

In Joaquim Costa Gomes – Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.

O Palácio da Justiça do Porto

O Palácio da Justiça do Porto foi inaugurado em 20 de Outubro de 1961.

Possui uma valiosíssima decoração artística, quer interior quer exterior, confiada a alguns dos melhores Pintores e Escultores Portugueses, num total de vinte e três, que executaram cinquenta baixos-relevos, pinturas a fresco e tapeçarias. Estas obras de arte contemporânea da mais variada concepção integram-se num pensamento comum de representação plástica: a Força do Direito como razão profunda da realidade nacional.

O baixo-relevo em granito do escultor Manuel Pereira da Silva, na sala de audiências do 3ºJuízo, faz-nos remontar às origens da nacionalidade e mostra-nos o Bispo do Porto, D. Pedro Pitões, no terreiro da Sé, exortando os cruzados a ajudar D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa.

Conforme consta do catálogo do Palácio de Justiça do Porto – MCMLXI, da Bertrand (Irmãos), Lda.

Participarão na decoração do edifício, além de Manuel Pereira da Silva, os escultores Euclides Vaz, Leopoldo de Almeida, Sousa Caldas, Salvador Barata Feyo, Lagoa Henriques, Gustavo Bastos, Irene Vilar, Maria Alice da Costa Pereira, Henrique Moreira, Eduardo Tavares, Arlindo Rocha e os pintores, Martins da Costa, Coelho de Figueiredo, Severo Portela, Amândio Silva, Martins Barata, Dordio Gomes, Guilherme Camarinha, Isolino Vaz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Sousa Felgueiras.

"No baixo-relevo para o Palácio da Justiça do Porto, Manuel Pereira da Silva é o artista de concepção mais moderna de todos os que colaboraram em obras de escultura."

"Numa simplicidade de linhas, D. Pedro de Pitões apresenta-se rodeado de algumas figuras de Cruzados que procuravam ir para terras do Oriente combater os infiéis. Há uma abundância de linhas geométricas, quer nas vestes episcopais, quer nas armaduras dos guerreiros."

in Joaquim Costa Gomes – Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.


Criar

Procuro acrescentar,
criando,
ao que a natureza me deu,
mas fico a pensar
se sou ela ou eu.
Manuel Pereira da Silva