domingo, abril 21, 2019

sábado, abril 20, 2019

Gravuras: Xilogravura e Calcogravura


A gravura é uma técnica artística, na qual é possível imprimir várias cópias de uma imagem a partir de uma matriz.
Para se fazer uma gravura é necessário um suporte (matriz) na qual será feito o desenho. Esse suporte é entintado e a imagem é impressa no papel. A gravura é um múltiplo, isso quer dizer que pode-se tirar várias cópias de um mesmo desenho.
As gravuras têm valor artístico por serem totalmente originais e realizadas artesanalmente.
Tipos de matriz:

A Xilogravura é a técnica mais antiga para produzir gravuras e seus princípios são muito simples. O artista retira de uma superfície plana de madeira (a matriz), com o auxílio de ferramentas de corte e entalhe (goivas) as partes que ele não quer que tenham cor na gravura. Após aplicar tinta na superfície, coloca um papel sobre a mesma. Ao aplicar pressão (com uma prensa) sobre essa folha a imagem é transferida para o papel. É um processo muito parecido com um carimbo.

Matriz em madeira


Xilogravura de Manuel Pereira da Silva


Xilogravura de Manuel Pereira da Silva

Linoleogravura é uma técnica que se assemelha ao entalhe da Xilogravura, no entanto, ao invés de madeira, a matriz é de material sintético – placas de borracha, chamadas “linóleo”. Esta técnica é mais recente do que a Xilogravura devido ao material de sua matriz, e foi muito utilizada pelos artistas modernos, como Picasso por exemplo.

A Calcogravura ou calcografia é o processo de gravura feito numa matriz de metal. A gravura em metal começou a ser utilizada na Europa no século XV. As matrizes podem ser feitas a partir de placas de cobre, zinco, alumínio ou latão. Estas são gravadas com incisão direta ou pelo uso de banhos de ácido. Água-forte, água-tinta, ponta seca são as técnicas mais usuais. A matriz recebe a tinta e uma prensa é utilizada para transferir a imagem para o papel.


Matriz em metal


Calcogravura de Manuel Pereira da Silva


Matriz em metal


Calcogravura de Manuel Pereira da Silva


A técnica do buril tem seu nome em função da ferramenta usada na gravação, o buril. As estampas das gravuras desta técnica apresentam linhas densas, porém sem marcas das rebarbas. O manejo do buril permite ao artista controle e regularidade do traço e, por conseguinte, do corte.
A ponta seca recebe seu nome em função da ferramenta utilizada, a ponta seca de gravar. É o método que mais se aproxima do gesto do desenho, dada a liberdade que o artista tem para conduzir a ferramenta. O ato de riscar a chapa com pontas metálicas resulta em estampas com linhas bastantes aveludas por causa das rebarbas que são levantadas durante a gravação.

A maneira negra, também chamada meia tinta ou mezzotint, tem sua origem na necessidade de gravadores representarem variações tonais de pinturas nas chapas. Sua invenção é atribuída à Ludwig Von Siegen (1609 – 1680), por volta de 1642. Seu método consiste em criar tons negros com o instrumento ‘berceau’, (do francês: berço), e criar gradações tonais do negro ao branco com as ferramentas raspador e brunidor. David Lucas (1802 – 1881), gravador inglês, realizou belas reproduções de obras do pintor John Constable (1776 – 1837), com esta técnica.

A gravura em metal, pensada para a reprodução de estampas, tem sua origem com os ourives europeus do século XV que desenvolveram a técnica do buril a traço. Logo nos seus primórdios grandes artistas destacaram-se no estudo da gravura em metal, caso de Albrecht Durer (1471 – 1528), filho de ourives, que possuía extraordinário domínio do buril, Martin Schongauer (1448 – 1491), Lucas Van Leyden (1494 – 1533), Antonio Pollaiuolo (1433 – 1498), Andrea Mantegna (1471 – 1506), entre outros.

Dentre as técnicas de gravação indireta destaco a água-forte, (do latim aqua-fortis), assim chamado por causa do ácido nítrico usado nesta técnica. O procedimento consiste em proteger a chapa, geralmente cobre, latão ou zinco, com uma camada de verniz feito com o aquecimento de cera, betume da Judeia e solvente, que aplicada sobre a chapa cria uma camada protetora. Para a retirada do verniz das áreas que se pretende gravar com ácido, é utilizado uma ponta de metal de extremidade, romba ou arredonda, para evitar que a matriz seja riscada. Em seguida a chapa é levada para o banho do ácido onde acontece a gravação da matriz.

Rembrandt H. Van Rijn (1606 – 1669), é considerado um dos maiores água-fortistas de todos os tempos, mas há outros artistas de grande relevância que devem ser citados; caso de Giovanni Battista Piranesi (1720 – 1778), Giovanni Battista Tiepolo (1696 – 1770), Giovanni Antonio Canal, vulgo Il Canaletto (1697 – 1768), Giorgio Morandi (1890 – 1964), Pablo Picasso (1881 – 1973), entre outros.

A técnica da Litografia parte do princípio químico que água e gordura se repelem. As imagens são desenhadas com material gorduroso sobre pedra calcária e com a aplicação de ácido sobre a mesma, a imagem é gravada. Assim como a gravura em metal, essa técnica também necessita de uma prensa para transferir para o papel a imagem gravada na pedra.

A Serigrafia começa a ser aplicada mais frequentemente por artistas na segunda metade do século XX. Como as técnicas descritas acima, também a Serigrafia apresenta diversas técnicas de gravação de imagem. Uma delas é a gravação por processo fotográfico. Imagens são gravadas na tela de poliéster e com a utilização manual de um rodo com a tinta a imagem é transferida para o papel.